Como Berlim tem apoiado os direitos animais

09/01/17 - 12h00

Como Berlim tem apoiado os direitos animais Foto: Privat

Por que as pessoas criam sociedades de prevenção à crueldade aos animais?

Por que as pessoas criam sociedades de prevenção à crueldade aos animais? “Para proteger os animais dos humanos”, foi a frase que mais ouvi em um evento que celebrava o aniversário de 175 anos da Sociedade de Berlim de Prevenção à Crueldade aos Animais.

A frase ainda ressoa na minha cabeça. É direta e reta, bem clara, mas ao mesmo tempo uma acusação forte carregada de decepção à raça humana. Pergunto-me o que tem de errado com a gente para que seja necessário proteger os animais de nós.

Tribunal de justiça

Sem dúvida, eu não esperava pela profundidade que se escondia por trás de um convite para um evento de proteção animal.

Enquanto me encaminhava para o lugar do evento, no centro de Berlim, me veio a lembrança do feliz e tranquilo gato da família de quando eu era criança. Aguardava uma noite divertida.

Geralmente um lugar de shows animados, o palco de “Friedrichstadtpalast” se tornou um tribunal de justiça. Fazendas industriais, testes em animais, crueldade aos animais – de repente, fui arrebatado por todas essas palavras de efeito.

Acompanhado de imagens de porcos sendo maltratados, o cantor alemão de folk, Stefajie Hertel, cantava “A dignidade de um porco é inviolável” – o que seria motivo de piada na casa de comédia ao lado. Aqui, engoli seco o riso.

Começa com a indústria alimentícia

“Proteção aos animais começa no prato”, Hertel, uma vegetariana convicta, me disse depois de sua apresentação. O sofrimento dos porcos é uma coisa – os mais de 100 mil gatos abandonados em Berlim são outra. São deixados aos seus próprios cuidados; somente algumas poucas almas caridosas e ativistas de proteção aos animais se importam.

Esses últimos, levam os gatos para um dos maiores abrigos da Europa, ao nordeste de Berlim, financiados por meio de doações com o total de mais ou menos oito milhões de euros por ano.

Nove veterinários, 60 cuidadores e muitos voluntários tomam conta de mais de 1.400 animais – cachorros, gatos, 18 macacos e um porco chamado Cristiano Ronaldo.

Carinho no abrigo

Muitos adolescentes ajudam no abrigo também, dando carinho aos gatos e organizando aulas de culinárias vegetariana. “Não queremos ser parte desse mundo egoísta”, um jovem fala para a plateia do evento. Tenho a impressão de que é isso que motiva a maioria dos voluntários e doadores: se sensibilizar e proteger os animais da mesma forma que é feita com os seres humanos. Tratar os animais com respeito devia fazer parte de como entendemos nossas vidas e o mundo.

A proteção aos animais tem uma longa tradição em Berlim. A Sociedade de Berlim de Proteção aos Animais – criada pelo funcionário público prussiano C.J. Gerlach, depois de ter testemunhado uma crueldade contra um cavalo de transporte – é uma das mais antigas na Alemanha e tem 15 mil associados.

Lobby político 

Uma medida que os políticos em Berlim não podem ignorar. A presidente do conselho Ines Krüger diz que o novo governo de Berlim incluiu algumas das exigências da Sociedade no acordo de coligação, tais como cortes consideráveis nos testes em animais, desenvolvimento de métodos alternativos, o fim de carruagens no centro da região e nomeou um encarregado para assuntos de proteção animal.

Parabéns à Sociedade de Berlim de Prevenção à Crueldade aos Animais! Conduzindo ao próximo passo na caminhada a um mundo melhor – para os animais, e para nós.

Por Gero Schliess
Tradução de Filype Ruiz / Agência de Notícias de Direitos Animais

Fonte: ANDA